Qual é o maior campeonato de tênis do mundo?
Não existe um único campeão dessa disputa: a resposta muda conforme o critério. A categoria máxima do tênis é o Grand Slam, formada por quatro torneios — Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Em tradição, Wimbledon é o mais antigo do mundo, disputado desde 1877. Em dinheiro e em público, quem lidera hoje é o US Open.
A categoria máxima do tênis é o Grand Slam
Antes de comparar torneio com torneio, vale entender a régua. Os quatro Grand Slams têm chave principal de 128 jogadores no simples — ou seja, sete rodadas até o título — e distribuem 2.000 pontos ao campeão, o dobro de um Masters 1000. São duas semanas de torneio, contra pouco mais de uma semana na maioria das outras etapas.
É por isso que a expressão “o maior torneio do mundo” costuma apontar para algum dos quatro: nenhum outro evento do circuito tem chave desse tamanho nem pontuação equivalente. A pergunta real, então, é qual dos quatro — e aí os critérios se separam.
Critério por critério
Tradição: Wimbledon
Wimbledon é disputado desde 1877, no All England Lawn Tennis and Croquet Club, em Londres: é o torneio de tênis mais antigo do mundo, em termos absolutos. É também o único Grand Slam ainda jogado na grama, e o dress code totalmente branco para os jogadores é regra do clube, não do esporte.
Roland Garros vem logo atrás em longevidade: é disputado em Paris desde 1891, no Stade Roland Garros, e é o único Slam em saibro — o que deixa as partidas mais longas e mais físicas.
Premiação: US Open
O US Open 2026 tem a maior premiação da história do tênis: US$ 108 milhões no total, com US$ 5,5 milhões para o campeão de simples. Como cada Slam paga na própria moeda, a comparação entre eles não é direta e depende do câmbio do dia:
| Torneio | Piso | Estádio principal | Campeão 2026 | Total 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Australian Open | Quadra dura (foi grama até 1987) | Rod Laver Arena · cerca de 14.820 lugares | AU$ 4,15 milhões | AU$ 111,5 milhões |
| Roland Garros | Saibro | Philippe-Chatrier · cerca de 15.225 lugares | €2,8 milhões | €61,7 milhões |
| Wimbledon | Grama | Quadra Central · cerca de 14.979 lugares | £3,6 milhões | £64,2 milhões |
| US Open | Quadra dura (desde 1978) | Arthur Ashe Stadium · cerca de 23.771 lugares | US$ 5,5 milhões | US$ 108 milhões |
A premiação de Wimbledon 2026 subiu 20% sobre a de 2025, chegando a £64,2 milhões. Vale registrar que os valores sobem praticamente todo ano, então qualquer comparação precisa vir com o ano de referência — os números acima são da temporada 2026. E, nos quatro Slams, a premiação é igual para homens e mulheres: o US Open foi o pioneiro, em 1973, e os outros três aderiram depois.
Público: US Open
O US Open 2025 teve público recorde de 1,14 milhão de pessoas nas três semanas do evento, sendo 905 mil só na chave principal. Foi o segundo ano seguido acima de um milhão de espectadores.
Tamanho do estádio: Arthur Ashe
O Arthur Ashe Stadium, no USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Flushing Meadows, Nova York, é o maior estádio de tênis do mundo em capacidade: cerca de 23.771 lugares, com teto retrátil desde 2016. Como se vê na tabela, os estádios principais dos outros três Slams — Philippe-Chatrier, Quadra Central e Rod Laver Arena — ficam todos na faixa dos 15 mil lugares.
A hierarquia do circuito, em três frases
Acima de tudo estão os quatro Grand Slams, com 2.000 pontos ao campeão. Um degrau abaixo vêm os nove Masters 1000 — Indian Wells, Miami, Monte Carlo, Madri, Roma, Canadá (que alterna entre Montreal e Toronto), Cincinnati, Xangai e Paris —, com 1.000 pontos; depois os ATP 500 e os ATP 250, que valem 500 e 250 pontos. O calendário ATP de 2026 reúne 65 torneios no total.
Fecha a temporada um evento de formato próprio: as ATP Finals, que reúnem os oito melhores do ano em fase de grupos, semifinais e final, com até 1.500 pontos ao campeão invicto. Não é Grand Slam nem Masters — é o encerramento do ano, disputado na Itália por contrato até 2030, em Turim na edição de 2026. Laver Cup, Copa Davis e United Cup também entram no calendário, mas os três não distribuem pontos de ranking.
E para o torcedor brasileiro?
Aqui o peso emocional tem endereço: Roland Garros. Gustavo Kuerten foi campeão em 1997, 2000 e 2001 — os três títulos de Grand Slam da carreira dele, todos em Paris. O primeiro veio aos 20 anos, como número 66 do mundo e sem ser cabeça de chave, batendo três ex-campeões no caminho e vencendo Bruguera na final por 6-3, 6-4 e 6-2. Em 2001 ele desenhou o coração no saibro da Philippe-Chatrier.
Na grama, o nome é Maria Esther Bueno, campeã de simples em Wimbledon em 1959, 1960 e 1964 — a única sul-americana a vencer o torneio em simples — e do US Championships/US Open em 1959, 1963, 1964 e 1966.
Qual deles vale a viagem?
Essa é a pergunta mais útil se você está pensando em ir a um, e a resposta honesta é que o “maior” no papel não é necessariamente o melhor para o seu caso. Dois pontos mudam bastante a experiência:
- O ingresso é por sessão, não por jogo. Diferente do futebol, ele dá direito a uma sessão — diurna ou noturna — numa quadra específica, e não a uma partida determinada. Uma sessão costuma ter de duas a quatro partidas, e a escalação sai poucos dias antes. Quem viaja atrás de um jogador específico corre risco real de não vê-lo.
- As primeiras rodadas rendem mais tênis por ingresso. Na primeira e na segunda rodada todas as quadras jogam ao mesmo tempo, e o mesmo ingresso rende muito mais partidas. Nas fases finais há menos jogos por dia, ainda que com os melhores do ranking.
Na mesma linha, o ground pass — o ingresso de acesso ao complexo, sem lugar marcado na quadra central — é a opção mais barata e a melhor relação custo-benefício justamente nas primeiras rodadas, quando há dezenas de jogos simultâneos. Nas semifinais e na final, ele perde muito do sentido.
Em resumo: se o critério é tradição, Wimbledon; se é premiação, público e escala, o US Open; se é história do tênis brasileiro, Roland Garros. E se o critério é quantidade de tênis assistido por real gasto, vá numa primeira semana, em qualquer um dos quatro.
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