Ground pass: o que é, o que dá direito e em quais torneios existe
Ground pass é o ingresso mais barato de um torneio de tênis: dá acesso ao complexo e às quadras externas, mas não à quadra central. Não tem lugar marcado e não garante nenhuma partida específica — o que ele entrega é o direito de circular pelo complexo naquele dia e assistir ao que estiver sendo jogado fora da arena principal.
O termo aparece em inglês na maioria dos sites de torneio e quase nunca é traduzido: ground pass, grounds pass, grounds admission. Em português seria algo como ingresso de arquibancada geral, ou ingresso de quadras externas. É o degrau de entrada da tabela de preços de praticamente todo Grand Slam — e o mais mal compreendido por quem compra pela primeira vez.
O que o ground pass dá — e o que não dá
O ground pass (ou ingresso de arquibancada geral) permite circular pelo complexo e assistir às quadras externas, sem lugar marcado na quadra central. É a opção mais barata do torneio.
Na prática, com um ground pass você:
- Entra no complexo pelo mesmo portão de quem tem ingresso de central, no horário de abertura daquele dia.
- Assiste às quadras externas por ordem de chegada — as arquibancadas menores enchem, e as maiores costumam ter fila.
- Usa toda a área comum: praças, lojas, restaurantes, telões e as áreas de treino, quando são abertas ao público.
- Não entra na arena principal. Centre Court, Arthur Ashe Stadium, Philippe-Chatrier, Rod Laver Arena — nenhuma delas está incluída.
- Não tem assento reservado em lugar nenhum. Se sair para almoçar, pode perder o lugar.
Vale registrar um segundo limite, que não é do ground pass e sim de qualquer ingresso de tênis: diferente do futebol, o ingresso dá direito a uma sessão — diurna ou noturna — numa quadra específica, e não a uma partida determinada. Uma sessão costuma ter de duas a quatro partidas, e a escalação sai poucos dias antes. Ninguém, em canal oficial ou em revenda, consegue vender a você o jogo de um tenista específico.
Como o ground pass se chama em cada torneio
O produto é o mesmo em todo lugar; o nome e o desenho mudam. A tabela abaixo mostra a quadra principal de cada torneio — justamente a que o ground pass não inclui — e o preço de entrada que estava no catálogo da Orange na data da consulta.
| Torneio | Quadra principal (fora do ground pass) | Como o ingresso costuma ser chamado | Entrada no catálogo Orange · consulta de 27/08/2026 |
|---|---|---|---|
| Wimbledon Londres, grama | Centre Court | Grounds pass | Sob consulta |
| US Open Nova York, quadra dura | Arthur Ashe Stadium | Grounds pass / grounds admission | A partir de R$ 784 |
| Roland Garros Paris, saibro | Philippe-Chatrier | Ingresso de quadras externas | Sob consulta |
| Australian Open Melbourne, quadra dura | Rod Laver Arena | Ground pass | A partir de R$ 2.105 |
| Miami Open Miami, quadra dura | Estádio principal do Hard Rock Stadium | Grounds pass | A partir de R$ 337 |
| Indian Wells Califórnia, quadra dura | Stadium 1 | Grounds pass | A partir de R$ 454 |
Os valores acima são o preço de entrada de cada torneio no catálogo, em reais, e nem sempre correspondem a um ground pass — a categoria exata do ingresso é confirmada antes da compra. Preços sujeitos a disponibilidade e a variação. "Sob consulta" significa que, na data acima, o torneio não tinha preço de entrada publicado no catálogo. Os nomes comerciais dos ingressos são revisados a cada edição pelo próprio torneio.
Por que a quadra principal muda tanto de tamanho
A diferença entre ter e não ter acesso à central não é só simbólica. O Arthur Ashe Stadium, no USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Flushing Meadows, tem capacidade de cerca de 23.700 lugares e teto retrátil desde 2016 — sozinho, ele recebe mais público do que várias quadras externas somadas. As sessões noturnas do US Open são conhecidas pela atmosfera mais barulhenta do circuito, e é exatamente essa atmosfera que o ground pass não compra.
Em Melbourne acontece algo parecido: o Australian Open é disputado em janeiro, em Melbourne Park, e tem três arenas com teto retrátil, entre elas a Rod Laver Arena — o jogo não para por chuva nem por calor extremo. Quem está com ground pass num dia de chuva pesada assiste ao complexo parar; quem está na Rod Laver Arena, não.
Quando o ground pass vale a pena
A resposta curta: nas primeiras rodadas, quase sempre; nas finais, quase nunca. A razão é aritmética.
Os quatro Grand Slams têm chave principal de 128 no simples, ou seja sete rodadas até o título, e distribuem 2.000 pontos ao campeão. São duas semanas de torneio. Nas rodadas iniciais — primeira e segunda —, todas as quadras jogam ao mesmo tempo e o mesmo ingresso rende muito mais partidas. Nas fases finais há menos jogos por dia, mas com os melhores do ranking.
Traduzindo para a decisão de compra:
- Primeira semana: o ground pass costuma ser a compra mais eficiente do torneio. Há dezenas de jogos simultâneos, muitos deles de cabeças de chave que ainda não subiram para a central, e você assiste a poucos metros da linha de fundo.
- Segunda semana: perde força rápido. Restam poucas partidas fora da arena principal, e o ground pass pode virar um ingresso para ver telão.
- Dia de chuva: é o pior cenário. Sem teto nas quadras externas, o dia pode simplesmente não ter tênis — e a política de reembolso varia conforme o torneio e o fornecedor.
Sendo honesto: se a sua viagem tem um único dia de torneio e ele é na segunda semana, o ground pass provavelmente não é o ingresso certo para você. Vale mais gastar em uma sessão de quadra central do que economizar num ingresso que, naquele dia, dá acesso a pouca coisa.
Um bom motivo para começar por Roland Garros ou por Wimbledon
Roland Garros é disputado em Paris desde 1891, no Stade Roland Garros, e é o único Grand Slam em saibro — o que torna as partidas mais longas e físicas. Um dia de quadras externas em saibro rende, em tempo de bola em jogo, mais do que a mesma programação numa quadra rápida. Foi lá que Gustavo Kuerten foi campeão em 1997, 2000 e 2001, os três títulos de Grand Slam da carreira dele, todos em Paris.
Wimbledon vai na direção oposta e também favorece o ground pass, por outro motivo: disputado desde 1877 no All England Lawn Tennis and Croquet Club, em Londres, é o único Grand Slam ainda jogado na grama, e o complexo em si — a grama, as filas, o clube — é parte da experiência. Circular por ele já é metade do programa.
Existe ground pass fora dos Grand Slams?
Existe, e às vezes com relação custo-benefício melhor. Nos Masters 1000 o formato se repete: em março, Indian Wells na Califórnia e Miami na Flórida, no Hard Rock Stadium, formam o chamado Sunshine Double — dois torneios seguidos nos Estados Unidos, com complexos grandes e muitas quadras externas ativas nos primeiros dias.
Como o calendário 2026 da ATP reúne 4 Grand Slams, as ATP Finals, 9 Masters 1000, 16 ATP 500 e 30 ATP 250, há bem mais oportunidades de ingresso barato do que a conversa sobre Grand Slam sugere. Torneios menores frequentemente vendem um ingresso único que dá acesso a todo o complexo, central inclusive — nesses casos, o conceito de ground pass simplesmente não se aplica.
Antes de comprar: três checagens
- Confirme o que está escrito no ingresso. Sessão, data e categoria precisam estar descritas por escrito — não apenas "ingresso para o torneio".
- Cheque a documentação com antecedência. Para US Open, Indian Wells e Miami é preciso visto americano B1/B2, cuja fila de entrevista consular costuma ser mais longa que a antecedência com que se compra ingresso. Para o Australian Open, visto eletrônico australiano. Para Roland Garros e Wimbledon, brasileiros não precisam de visto para turismo de estada curta.
- Some o que não é ingresso. Passagem, hospedagem na cidade durante o torneio, transporte diário até o complexo e alimentação lá dentro. Num Grand Slam, o ground pass costuma ser a menor linha da conta.
Como comprar pela Orange
A Orange é agência de viagem: compramos por fornecedor internacional e não temos vínculo de representação com torneios, ATP ou federações. A compra é online, com preço final em reais, no PIX à vista ou em até 10x no cartão, escolhendo torneio, sessão e quadra — tudo sujeito a disponibilidade. Os ingressos são entregues de 72h a 24h antes do evento, e as políticas de alteração e cancelamento variam conforme o torneio e o fornecedor, informadas caso a caso antes da compra.
Compra online em reais, no PIX à vista ou em até 10x no cartão. Ofertas, categorias e preços sujeitos a disponibilidade.
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